Quando o produtor compra feno, o que ele está comprando de fato? Muitos ainda respondem com base na aparência — cor, cheiro, aspecto do fardo. Mas a resposta técnica está em números: proteína bruta, fibra em detergente neutro, digestibilidade e matéria seca. É a partir desses índices que o setor classifica o feno em tipo A, B e C — e cada categoria tem impacto direto na performance do animal e na rentabilidade da operação.
O que define a classificação
A qualidade do feno está diretamente relacionada a dois fatores principais: o estágio de crescimento da planta no momento do corte e a qualidade do processo de fenação.
Com a idade, a planta forrageira torna-se progressivamente mais fibrosa. Os teores de proteína, cálcio e fósforo caem, a digestibilidade reduz, e a ingestão voluntária pelo animal diminui. Por isso, o momento do corte define em grande parte o teto de qualidade que o feno pode atingir.
Feno tipo A — o premium
O feno tipo A é produzido a partir de plantas colhidas jovens, com alta proporção de folhas em relação aos caules — e são as folhas que concentram os maiores teores de proteína e nutrientes digestíveis. No caso do Tifton 85, o corte ideal ocorre entre 28 e 42 dias de rebrota.
- Proteína bruta: acima de 12% (podendo chegar a 18% em condições ideais)
- NDT (Nutrientes Digestíveis Totais): 60 a 66%
- Digestibilidade da matéria seca: 60 a 73%
- Cor: verde intensa; odor característico agradável; toque macio
É o feno indicado para equinos de alto desempenho, bovinos leiteiros de alta produção e animais em fases exigentes como lactação e crescimento acelerado.
Feno tipo B — o intermediário
O feno tipo B é produzido a partir de plantas em estágio mais avançado de crescimento — geralmente entre 42 e 56 dias no caso do Tifton. A planta já desenvolveu mais talos, o que reduz a relação folha/colmo e, consequentemente, o teor proteico.
- Proteína bruta: entre 8% e 11%
- Adequado para bovinos de corte em manutenção, vacas secas e pequenos ruminantes
- Boa relação custo-benefício para dietas de sustentação
Em casos onde o ciclo da cultura foi afetado por excesso de chuva, o feno pode apresentar características visuais de tipo B, mas manter índices nutricionais semelhantes ao tipo A — daí a importância da análise bromatológica laboratorial para confirmar a qualidade real do produto.
Feno tipo C — o de reserva
O feno tipo C resulta de plantas maduras, com alto grau de lignificação da parede celular. É o feno “de campo”, normalmente proveniente de pastagens que amadureceram na seca — como Massai e Braquiarão em pé.
- Proteína bruta: abaixo de 8%
- Coloração amarelada ou marrom; palatabilidade reduzida
- Indicado como fonte de fibra em dietas de adaptação ao confinamento ou em situações emergenciais de escassez de forragem
Usado isoladamente, o feno tipo C não atende às exigências nutricionais de categorias produtivas — sendo necessário suplementar com proteína adicional para equilibrar a dieta.
Por que isso importa na prática
A diferença entre fornecer feno tipo A ou tipo C para um bovino em crescimento pode representar centenas de gramas a menos de ganho de peso por dia. Em um lote de 100 animais em 90 dias de confinamento, essa diferença se traduz em quilos a menos na balança e reais a menos na arroba.
Conhecer o que está comprando — e exigir análise bromatológica do fornecedor — é o primeiro passo para transformar o feno de um custo em um investimento com retorno mensurável.
Na VIP Feno, todo o processo produtivo é acompanhado de perto, do corte ao armazenamento, justamente para garantir que o feno que chega na sua propriedade esteja dentro do padrão que o seu rebanho merece.