Nas últimas duas décadas, o comércio mundial de feno passou por uma expansão significativa. Dois fatores foram determinantes para isso: as graves limitações no uso da água em países da Ásia e do Oriente Médio, que inviabilizam a produção local de forragem em larga escala; e o aumento global na demanda por proteínas de origem animal, especialmente lácteos.
A região Ásia-Pacífico concentra 51% da população mundial e responde por 31% dos lácteos consumidos no planeta — números que continuam crescendo à medida que a renda per capita avança nessas economias. Para atender essa demanda, países como China, Japão e Coreia do Sul precisam importar volumes expressivos de forragem conservada, já que não dispõem de terra ou água suficientes para produzir internamente.
Esse cenário transforma o feno em uma commodity estratégica no mercado internacional, movimentando aproximadamente US$ 3 bilhões por ano em volume global de negócios.
O Brasil e seu potencial
Enquanto o comércio mundial cresce, o Brasil ainda opera com uma área de produção de feno relativamente pequena — cerca de 40 mil hectares — em um continente onde a Argentina, nona maior exportadora mundial, cultiva 4 milhões de hectares. A diferença não está na capacidade produtiva: está na organização do setor, na tipificação do produto e na logística de exportação.
O Brasil possui vantagens comparativas que poucos países têm: clima favorável com múltiplos cortes ao ano, disponibilidade de terras agricultáveis, gramíneas de alto rendimento como o Tifton 85, e um setor pecuário em franca expansão que já demonstra ao mundo a qualidade da proteína animal brasileira.
Pesquisadores da Embrapa apontam que o país tem grande potencial de expansão da área de produção de feno, especialmente nos biomas Cerrado e Caatinga — regiões com disponibilidade de terra, insolação intensa e condições favoráveis à fenação.
O que falta para avançar
Segundo especialistas do setor, os principais gargalos estão na tipificação e certificação da qualidade do feno para exportação, na melhoria da logística de compactação e armazenamento dos fardos, e em políticas tarifárias que facilitem o comércio internacional.
Para quem produz feno com padrão, rastreabilidade e consistência nutricional comprovada, o caminho para os mercados externos passa a ser uma possibilidade real — e cada vez mais próxima.